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Entrevista com Josep Piquet - Desafios e Experiências de Smart Cities no Mundo e no Brasil

“Brasília tem grande capacidade por ser a sede do governo federal. O desafio de Brasília é a retenção e o desenvolvimento de talentos próprios e investimento público”.
25/11/2019
FONTE:

O espanhol Josep Miquel Piqué ministra a palestra magna “Desafios e Experiências de Smart Cities no Mundo e no Brasil", do 1º Fórum Nacional para Certificação de Cidades Inteligentes. Piqué é mentor de inúmeras iniciativas e projetos ao redor do mundo voltados aos desenvolvimento de smart cities. Exerceu o cargo de CEO do Distrito de Inovação 22@Barcelona, diretor de Setores Estratégicos da Agência de Desenvolvimento Local Barcelona Activa e CEO do Gabinete de Crescimento Econômico da Câmara Municipal de Barcelona. 

 

Piqué é presidente da Rede de Parques Científicos e Tecnológicos da Catalunha (XPCAT), Vice-Presidente da Associação de Parques Científicos e Tecnológicos da Espanha (APTE) e ex-presidente e membro do Conselho da Associação Internacional de Parques científicos e Áreas de Inovação (IASP ).  Atualmente, é consultor da Direção-Geral de Política Regional e Urbana (DG REGIO) da Comissão Europeia e membro da Equipe de Especialistas em Políticas de Inovação e Competitividade da Comissão das Nações Unidas para a Europa (UNECE). 

 

Confira a entrevista do jornal Codese em Ação com Piquet.

 

Como surgiu a ideia de revitalizar o antigo bairro do Poblenou (antiga área industrial da cidade, conhecida com a Manchester Catalã), em Barcelona? 

Esta ideia surgiu a partir da realidade de uma degradação não só econômica, mas da degradação urbana e social de uma área industrial de 200 hectares.  Isto impulsionou o Distrito de Inovação 22@, em Barcelona, para transformar urbanística, econômica e socialmente em uma nova indústria, nesse caso a indústria do conhecimento, em contraponto a antiga indústria poluente que havia na cidade. 

 

Quando tudo começou?

O projeto começou em 2000, com a construção da sociedade 22@ que desenvolveu o projeto, instrumentalizado pela prefeitura de Barcelona. Fui CEO da empresa público-privada 22@Barcelona, para dirigir o projeto durante oito anos e transformar a infraestrutura, planejamento urbanístico e promover o investimento de construtores e investidores em 22@, um investimento de € 200 milhões (R$ 836 milhões). Para transformar economicamente o 22@ com especialização setorial, foram utilizados os clusters urbanos (o projeto é dividido em 4 clusters  para aproximar as empresas de cada setor: biomedicina, tecnologia da informação e comunicação, energia e mídia digital). O Distrito é muito mais digital, com uma vocação de inclusão social para atrair e desenvolver talentos. 

 

Qual foi o maior desafio para transformar o distrito no Projeto 22@? Quem são os atores que tornaram tudo possível?

Os desafios foram claramente reverter a tendência de uma zona degradada para a zona 22@, neste caso um desafio urbanístico. Assim se criou o modelo do 22@, uma transformação urbanística para incrementar a construção dos edifícios, mudar a cessão do solo que representa 30% para a cidade, uma inovação urbana de utilização do solo para uso público e privado. O desafio econômico foi criar a nova economia do conhecimento, com a implantação de universidades, parques tecnológicos e startups especializadas nos setores. E o desafio social de inclusão, em como atrair as pessoas que viviam no entorno e pessoas de fora. Os atores seriam a tríplice hélice, composta por universidades, governo e as empresas. 

 

A captação de água e produção de energia de todo o distrito são direcionados pela cidade ou há uma produção própria?

22@ implantou um projeto de smart cities com infraestrutura para água, energia, mobilidade, resíduos e informação. Quero dizer que o 22@ já estudava modelos inovadores como por exemplo, energético, criando um modelo geotérmico usando a água do mar para refrigerar o distrito. É uma energia inovadora! Assim como esgotos, coleta seletiva de resíduos pneumáticos, sistema de aquecimento urbano e 47.000 m de fibra óptica escura. 

 

No mundo, há outra cidade que considera mais desafiadora que a própria experiência em Barcelona?

Cada cidade tem seus desafios, e há cidades como Medellín na Colômbia, que tem um grande desafio de degradação e segurança, onde acompanhei durante mais de um ano a transformação do distrito de inovação, é atualmente a cidade mais inovadora da América Latina e uma das mais inovadoras do mundo. Há Cingapura, um distrito mais centrado em biotecnologia, neste caso também no desenvolvimento econômico.   

 

No caso do Brasil, quais são as cidades brasileiras que estão no caminho da inovação?

No caso de Recife-PE, é interessante o porto digital onde há uma proposta clara e contínua de como a tecnologia pode transformar um bairro ligado ao porto. O caso de Porto Alegre-RS acho interessante o projeto Pacto pela Inovação, como estão articulando todos os agentes (universidades, empresas e administração) para promover os desafios da cidade. No caso de Fortaleza-CE, há uma proposta muito clara para implantação dos distritos de inovação em saúde de Porangabuçu e Eusébio. Ou, há casos como Curitiba-PR, que em minha opinião, já tem articulado visões claras, e a implantação do Parque Tecnológico de Maricá-RJ. Portanto, diferentes cidades no Brasil estão entendendo a oportunidade e também a responsabilidade de criar um ambiente inovador para as cidades.

 

Brasília quer se tornar referência em smart cities no país. Recentemente recebeu pela WCCD a certificação ISO 37120 classificada na categoria "Cidade Aspirante". A partir de suas experiências, o que pode contribuir para que isso seja real? 

Bem, na verdade tem que haver um grande pacto entre os agentes de Brasília, universidades, empresas e governo tem que visionar uma agenda de estratégia e inovação que vai atender e resolver os desafios urbanos, econômicos, sociais e de governança que podem ter. Brasília tem grande capacidade por ser a sede do governo federal. Tem universidades muito interessantes como a Católica e a UnB. O desafio de Brasília é a retenção e desenvolvimento de talentos próprios e investimento público. 

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